Há uma voz que ecoa dentro de mim,
antiga como o tempo,
viva como o fogo.
Ela arde, chama, conduz.
Diz que há um caminho
traçado antes do meu nome.
Sinto a presença dos meus ancestrais
quando minhas mãos tocam a terra,
quando o canto dos pássaros abre o céu,
quando a chuva me batiza
e o fogo reconhece a minha pele.
No pulsar dos tambores,
meu coração se lembra.
Na dança, meu corpo sabe.
É ali que os encontro,
entre passos, fumaça e silêncio.
Eles falam sem palavras,
e eu compreendo:
há muito mais vida
do que aquilo que se vê.
Mas só enxerga
quem escuta a voz interna
e não a cala.