Às vezes é o único lugar que quero estar,
ou talvez alcançar.
Um verso simples resumiria o que sinto,
mas a vida não cabe
em poucas palavras claras.
O ar parece não existir,
como se o sopro da vida hesitasse.
A falta dele me esvai do mundo,
um grito sem ar, um grito mudo,
onde peço ajuda
sem som.
Calado,
acorrentado aos meus medos e traumas,
às vezes sem ninguém
para desabafar ou consolar.
Escrevo para fugir do caos interno,
para distrair as feridas.
Um homem solitário,
e voluntário.
O preço de escolher não ser alienado.
O preço de pensar no bem
sem ver a quem.
Às vezes desejo apenas
conseguir ser um homem estúpido
como seria fácil a vida,
como seria simples o agora.
Mas remo nas ruínas das minhas dores.
A triste escolha de fazer o bem
alguém precisa pagar.
Hoje é minha mente.
Talvez,
Amanhã seja minha carne.