Às vezes a gente acorda querendo desistir de existir, mas ai se lembra que não é opção.
Eu quis também... quis grunhir de dor, pular, bater o pé e deixar que toda culpa fosse dissipada mas não o fiz.
A vida é uma coisa muito comprometedora. Ao mesmo tempo que tudo anda bem, no outro dia você acorda e já não se sente como no anterior... o café não tem mais cheiro, não está quente, não tem sabor, não faz sentido.
É como se o mundo continuasse funcionando, pontual e correto, enquanto a gente falha por dentro. O relógio anda, o sol nasce, as pessoas seguem, e nós ficamos ali, tentando entender em que momento desaprendemos a sentir o gosto das coisas simples. Não é tristeza escandalosa, é um cansaço manso, desses que sentam do nosso lado e não vão embora.
Os dias não vão passar em clima de festa. Há mais dias de chorar do que de sorrir numa vida comum, e é preciso aproveitar os dois, aprender com os dois.
O choro ensina o peso, o sorriso ensina a leveza e ambos são necessários para que a alma não fique torta.
Viver, no fundo, é aceitar que nem todo dia será bom, mas que todo dia ainda pode ser vivido.
Mesmo quando tudo parece sem sentido, a vida continua pedindo presença. Não heroísmo, não forçada e exagerada, apenas permanência. Ficar. Respirar. Esperar que, em algum momento, o café volte a ter cheiro outra vez.