Há dias em que a mente
sai de casa sem avisar,
visita ambiente que não pede retorno
e demora a decidir o caminho de volta.
Tem dias em que o pensamento
descobre outros caminhos
e desconfia do antigo trajeto,
como quem rejeita
reencontrar o mesmo barulho,
o mesmo sufoco.
Retornar, às vezes,
é visitar espaços
que já não nos cabem.
É sentar em lugares
onde o coração não descansa
e o silêncio não chega.
Por isso a mente hesita.
Ela procura um pouso mais suave,
um chão que não exija defesa,
um espaço onde sonhar
não doa.
E assim sigo eu:
entre a vontade de voltar
e o desejo profundo
de permanecer buscando um canto que seja somente MEU.