Rafael Magalhães

Bellum

Não sou como nação,

Essa necessita exércitos e batalhões para a guerra

E vê a mesma como meio para algo maior.

 

Eu não sou como nação, 

Pois para guerra não preciso de outrém,

E como nação, ter exércitos e batalhões inimigos.

 

Para guerra preciso apenas de mim mesmo.

E, por mais contraditório que possa parecer,

É essa a guerra mais tremenda.

 

Não sou como nação em guerra,

Pois essa, mesmo nos mais sofridos momentos

E nas mais traumatizantes cenas,

Ainda tem em ti uma sensação;

Uma sensação de quase certeza.

Tal que a mostra que a luta acabará um dia, assim como o caos e o sofrimento sentido.

E que o bom fim, conquistado através de guerra,

Chegará.

 

Não sou como nação, minhas guerras não têm rifles;

Assim como não têm trincheiras nem granadas.

E, além do caos, não existe uma quase certeza.

E nem mesmo uma leve sensação de que um dia aquilo terminará,

E que todas as duras lutas valeram a pena.

 

A guerra consigo mesmo é pior que a das nações. 

Mesmo sem rifles, granadas e trincheiras, ela ainda tem luta;

Uma grande luta, que trás contigo uma grande cobrança.

Que se fosse a de um soldado da nação, 

Seria a de honrar, a todo custo, sua pátria.

Mas, que na guerra consigo mesmo, tem outra motivação;

Umas simples e profunda motivação:

Há de ser melhor do que isso.

 

Não sou como nação,

Não guerrio por poder, glória e soberania,

Nem mesmo o faço voluntariamente.

Eu guerrio para não me perder.

Guerrio para que a visão do meu inimigo, que ao mesmo tempo é a minha própria, não me domine.

 

Há de ser esperançoso,

Esperanças essas de que um dia a guerra acabará 

De que no seu fim, tenha sido um bom meio.

E que não o destrua,

Assim como fez com grandes nações.