Não sou como nação,
Essa necessita exércitos e batalhões para a guerra
E vê a mesma como meio para algo maior.
Eu não sou como nação,
Pois para guerra não preciso de outrém,
E como nação, ter exércitos e batalhões inimigos.
Para guerra preciso apenas de mim mesmo.
E, por mais contraditório que possa parecer,
É essa a guerra mais tremenda.
Não sou como nação em guerra,
Pois essa, mesmo nos mais sofridos momentos
E nas mais traumatizantes cenas,
Ainda tem em ti uma sensação;
Uma sensação de quase certeza.
Tal que a mostra que a luta acabará um dia, assim como o caos e o sofrimento sentido.
E que o bom fim, conquistado através de guerra,
Chegará.
Não sou como nação, minhas guerras não têm rifles;
Assim como não têm trincheiras nem granadas.
E, além do caos, não existe uma quase certeza.
E nem mesmo uma leve sensação de que um dia aquilo terminará,
E que todas as duras lutas valeram a pena.
A guerra consigo mesmo é pior que a das nações.
Mesmo sem rifles, granadas e trincheiras, ela ainda tem luta;
Uma grande luta, que trás contigo uma grande cobrança.
Que se fosse a de um soldado da nação,
Seria a de honrar, a todo custo, sua pátria.
Mas, que na guerra consigo mesmo, tem outra motivação;
Umas simples e profunda motivação:
Há de ser melhor do que isso.
Não sou como nação,
Não guerrio por poder, glória e soberania,
Nem mesmo o faço voluntariamente.
Eu guerrio para não me perder.
Guerrio para que a visão do meu inimigo, que ao mesmo tempo é a minha própria, não me domine.
Há de ser esperançoso,
Esperanças essas de que um dia a guerra acabará
De que no seu fim, tenha sido um bom meio.
E que não o destrua,
Assim como fez com grandes nações.