G. Mirabeau

O NUNCA APARECIDO

 

Queria sair para comprar cigarros

E nunca mais voltar!...

Um anúncio no jornal...

Um número de telefone...

Achados e perdidos...

Perdidos e achados...

Perdidos e perdidos...

 

Na delegacia, uma ficha.

Nas estatísticas, um número.

Nas pessoas, a perplexidade!

 

E se alguém me achasse?

E se eu soubesse?

E se me dissessem onde encontrar o desaparecido

Que nunca apareceu?...

 

Colocaria já um anúncio no jornal:

Procura-se! Procura-se!

Procura-se o desaparecido

Que também é o Iluminado

Que nada iluminou...

Que é a morte insepulta,

Que é o grito da Lua,

Que é o fundo das ruas

De telas antigas

E das estradas poeirentas

Dos velhos filmes de “cowboy”!...

 

Como eu queria sair para comprar cigarros

E nunca mais voltar...

Mas - Meu Deus... - eu nem fumo!