Jersia Alexandra Castelo Castanheta

Coleccionador De Despedidas

 

 

O que te mais dói?
Essa é uma pergunta complicada…  
Vamos então falar sobre o amor.  

O amor dói.  

O que mais dói no amor é a perda.  
O que mais dói na perda é a lembrança.  
A lembrança fere mais que a ausência,  
Porque ela traz de volta o que já não posso tocar.  
Ela sussurra nomes que eu não posso mais chamar,  
Rostos que só vivem nos cantos empoeirados da memória.

A lembrança é traiçoeira.  
Ela chega mansa, mas carrega lâminas nos bolsos.  
Ela sussurra nomes, risos, momentos —  
e nos arrasta para um tempo que já não volta.  
Cada ausência se transforma em presença dolorosa.

Cada memória é um corte limpo,  
Uma faca que entra sem pressa,  
Sem ruído.  
Ela não mata — mas também não deixa viver.  

Um abraço que poderia ter durado mais.  
Um \"fica\" que engasguei por orgulho.  
Um \"te amo\" que ficou preso entre o coração e a boca.  
E hoje me atravessa como uma espada silenciosa.

A dor da perda é isso:  
Como se alguém arrancasse um pedaço da minha alma,  
E deixasse o vazio latejando dentro de mim,  
Com a carne viva exposta ao vento do tempo.

A dor da perda não grita — ela pesa.
Pesa nos ombros, nos olhos, no peito.  
Não importa quanto tempo passe,  
Ela encontra novos lugares para doer.

E o tempo…  
Ah, o tempo não cura.  
Ele só me ensina a esconder melhor a dor.  
Só me ensina a sorrir enquanto sangro por dentro.

A verdade é que amar demais tem um preço.  
E quem parte, não vai sozinho.  
Leva nossos sorrisos, nossas rotinas,  
Leva até o ar de certos dias.

E eu fico aqui, tentando existir inteira,  
Com um coração feito de remendos.

E eu sigo, 
colecionando despedidas em forma de poemas,
tentando encontrar beleza em ruínas.

Porque o que mais dói no amor…  
É que ele é eterno.  
E o que mais fere na vida…  
É que tudo nela termina.

Então, respondendo à sua pergunta,
o que mais me dói é a vida,
Porque ela me obriga a conviver com a morte.

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