O que te mais dói?
Essa é uma pergunta complicada…
Vamos então falar sobre o amor.
O amor dói.
O que mais dói no amor é a perda.
O que mais dói na perda é a lembrança.
A lembrança fere mais que a ausência,
Porque ela traz de volta o que já não posso tocar.
Ela sussurra nomes que eu não posso mais chamar,
Rostos que só vivem nos cantos empoeirados da memória.
A lembrança é traiçoeira.
Ela chega mansa, mas carrega lâminas nos bolsos.
Ela sussurra nomes, risos, momentos —
e nos arrasta para um tempo que já não volta.
Cada ausência se transforma em presença dolorosa.
Cada memória é um corte limpo,
Uma faca que entra sem pressa,
Sem ruído.
Ela não mata — mas também não deixa viver.
Um abraço que poderia ter durado mais.
Um \"fica\" que engasguei por orgulho.
Um \"te amo\" que ficou preso entre o coração e a boca.
E hoje me atravessa como uma espada silenciosa.
A dor da perda é isso:
Como se alguém arrancasse um pedaço da minha alma,
E deixasse o vazio latejando dentro de mim,
Com a carne viva exposta ao vento do tempo.
A dor da perda não grita — ela pesa.
Pesa nos ombros, nos olhos, no peito.
Não importa quanto tempo passe,
Ela encontra novos lugares para doer.
E o tempo…
Ah, o tempo não cura.
Ele só me ensina a esconder melhor a dor.
Só me ensina a sorrir enquanto sangro por dentro.
A verdade é que amar demais tem um preço.
E quem parte, não vai sozinho.
Leva nossos sorrisos, nossas rotinas,
Leva até o ar de certos dias.
E eu fico aqui, tentando existir inteira,
Com um coração feito de remendos.
E eu sigo,
colecionando despedidas em forma de poemas,
tentando encontrar beleza em ruínas.
Porque o que mais dói no amor…
É que ele é eterno.
E o que mais fere na vida…
É que tudo nela termina.
Então, respondendo à sua pergunta,
o que mais me dói é a vida,
Porque ela me obriga a conviver com a morte.
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