Ultracrepidário

Não há ponteiros

São tantas as bocas
que sussurram nas vielas sujas
O quanto o Tempo é cruel;
O quanto a Morte é inimiga;
O quanto a Cama é abrigo.

Essa gente de mãos macias,
Que temem o temor;
Que sonham o sonhar;
Que, a sangue frio,
Esfriam o próprio sangue.

Posso não ter 
Nem mais um nervo pulsando.
Posso não ter
Nem mais um osso firme.
Mas terei
Tempo.

Sempre terei tempo.
Tempo para ver a poeira brilhante
Que redemoinha no fundo da janela.
Tempo para ver as estrelas mágicas
Que cintilam na pupila das moças.
Tempo para ver as rugas devorando meu rosto
Mas nunca meu sorriso.

Eu morrerei.
Mas eu sou imortal.