A vida me chamou á instrução sem aviso,
sem defesa prévia...
Reuni provas em silêncio, arquivei lágrimas nos autos do coração
e aprendi a esperar sem garantias.
O tempo passou como juiz atento, anotando ausências, adiando respostas.
Cada perda foi audiência vazia...
Um acordo íntimo com a espera, firmado no silêncio.
Cada queda, um lembrete que nem toda justiça é imediata.
Não pedi absolvição, porque sobreviver também requer responsabilidade.
Pedi apenas lucidez para prosseguir...
Fé para sustentar o invisível...
E coragem para não desistir de mim.
Agora caminho para as alegações finais, não com rancor,
mas com verdade e coragem.
Que o amor seja meu argumento central, a esperança fundamento irrecorrível...
E a fé a prova que o tempo não anula.
Se houver sentença, que seja de recomeço.
Que me conceda o direito de renascer, mesmo depois do cansaço.
Porque fiz da dor aprendizado...
E da espera, uma forma de resistência.