As ruas se enchem de vozes febris, clamores de fim, sermões infantis, profetas de sombra anunciam ruína, mas só espalham medo e doutrina.
O púlpito treme com gritos de guerra, a palavra distorcida que tudo encerra, o apocalipse é vendido em pedaços, um mercado de fé, de correntes e laços.
Olhos em chamas, mãos levantadas, prometem pragas, cidades queimadas, mas o que resta é só paranoia, um teatro de dor que ninguém destrói.
O jornalista escreve, febril e atento, relata o delírio, o falso tormento, a fé transformada em arma cruel, um espetáculo mórbido sob o véu.
Cada versículo é usado como açoite, cada metáfora, um falso açoite, a bíblia vira munição sem razão, um arsenal de medo em cada sermão.
O povo se curva, tomado de pânico, ouvindo o fim em tom tirânico, mas não há sinais além da loucura, só ecos de vozes em noite escura.
Fanáticos clamam por bestas e fogo, mas criam apenas um falso jogo, a cidade observa, descrente e fria, o culto se afoga na própria mania.
O repórter descreve com pena ferida, a insanidade travestida de vida, um apocalipse que nunca virá, mas que em cada esquina ainda ecoará.
As idiotices se repetem em coro, um delírio que veste manto de ouro, mas por trás da máscara de devoção, há apenas vazio e manipulação.
E assim termina a crônica sombria, um retrato da fé que perdeu harmonia, o jornalista escreve, fervor e dor, sobre um culto perdido em falso ardor.