Nada me pega, tudo me dá ânsia,
o mundo me olha e eu devolvo distância.
Amor é golpe mal ensaiado,
dinheiro é vício, joga mais que eu fico do lado.
Corpo bem vestido, alma em greve,
luxo não cura, só deixa leve
o peso de existir sem sentido,
status é coleira pra ego ferido.
Homem vem, fala, late promessa,
quer ser abrigo mas vira pressa.
Não me toca, não me lê, não me alcança,
quer posse, não troca, só cobrança.
Sou vazia sim, e daí?
Vazio pensa, vazio não se ilude aqui.
Trabalho, conto, sorrio afiada,
bonita por fora, por dentro armada.
Jogo beijo no vento, nem olho pra trás,
tem gente se humilhando pra ser meu “talvez”.
Menino fumaça, erro calculado,
me quis intensa mas fugiu quando foi amado.
Que magia você fez? Nenhuma, covarde.
Foi truque barato, fuga disfarçada de arte.
Virou cinza na mão, sumiu na visão,
não deixou saudade, deixou lição.