Alexandre Toledo

Amour chronométré

Quando a vi pela manhã, me apaixonei
E durante toda à tarde, eu te amei
Mas pela noite fria, eu te odiei
Ora! que amor tão moço e desvairado,
Que nasce ao sol e à sombra já definha!
De dia fui um louco enamorado,
À noite, a dor chamou-se culpa minha.

Sorri-te à luz serena da alvorada,
Jurei-te o céu num gesto passageiro,
Mas veio a lua, pálida e cansada,
E vi meu sonho ruir por inteiro.

Não eras tu, era o peito que tremia,
Era esta alma sem rumo e sem abrigo,
Amei-te mais do que eu mesmo podia
E odiei-me ao ver-te estranha ao meu castigo.