Carlos Lucena

PATATIVA

PATATIVA

Não conto como a Patativa
Não tenho
Uma a ousadia poética 
Nem a melodia nativa 
Feita num assovio 
De  melodiosa métrica.

Não canto com o seu cantar
Nem me atrevo num sibilo nada dizer
Não sei sequer assoviar
Nem também num silvo 
um estribilho escrever.

Não tenho a força de suas asas
Nem a simplicidade de seu voar 
Sincronizados com suas brasas
Embalado pelo seu cantar.

Não me atrevo sequer 
Cantar em qualquer galho
Nem da flor fazer 
um poema qualquer
Porque seu canto é como orvalho que rega flores, rosas, 
jasmins, bem-me-quer.

As vezes seu canto é de alegria 
Outra hora canta tristeza e dor
Mas é de singular alegria
Porque também é um canto amor.

E é assim que a ela (ou ele) nenhum passarinho se igualha 
É uma endêmica ave de Assaré
Mas mesmo assim se espalha
Aonde seu canto trabalha 
Cantando o que seu verso quiser!