PATATIVA
Não conto como a Patativa
Não tenho
Uma a ousadia poética
Nem a melodia nativa
Feita num assovio
De melodiosa métrica.
Não canto com o seu cantar
Nem me atrevo num sibilo nada dizer
Não sei sequer assoviar
Nem também num silvo
um estribilho escrever.
Não tenho a força de suas asas
Nem a simplicidade de seu voar
Sincronizados com suas brasas
Embalado pelo seu cantar.
Não me atrevo sequer
Cantar em qualquer galho
Nem da flor fazer
um poema qualquer
Porque seu canto é como orvalho que rega flores, rosas,
jasmins, bem-me-quer.
As vezes seu canto é de alegria
Outra hora canta tristeza e dor
Mas é de singular alegria
Porque também é um canto amor.
E é assim que a ela (ou ele) nenhum passarinho se igualha
É uma endêmica ave de Assaré
Mas mesmo assim se espalha
Aonde seu canto trabalha
Cantando o que seu verso quiser!