Hoje beberei do meu veneno.
Hoje deixarei que o vinho suave escureça a minha alma.
Elevarei meus pensamentos e deixarei fluir de mim tudo o que sinto
tudo o que amo,
tudo o que odeio,
tudo o que guardo.
Soltarei um grito silencioso,
capaz de acordar não apenas uma casa,
mas uma vizinhança inteira.
Farei isso para que aquilo que me assombra,
que me atormenta,
possa enfim desaparecer.
Que sejas neblina no fim do amanhecer.
Que sejas desvanecer.
Que sejas apenas um sonho —
ou melhor, um pesadelo.
Que sejas tudo ou nada.
Não me importa.
Apenas
que não sejas mais meu.