(História de própria autoria)
João era um jovem moço de sonhos considerados absurdos.
Na vila onde morava, todos o chamavam de lunático e mangavam dele por gostar demais de feijão. Afinal, havia aquela velha fábula de João e o Pé de Feijão, e qualquer coisa que envolvesse feijão parecia motivo de piada.
Certa vez, João teve uma ideia impressionante — e um tanto hilária aos olhos dos outros: fazer uma grande plantação de feijão.
O que parecia ainda mais bobo era o fato de que quase todos na vila já faziam isso. O feijão, inclusive, estava cada vez mais desvalorizado no mercado.
Mas João não desistiu.
Seus amigos viviam perguntando:
— E aí, Joca — como o chamavam — o que você vai fazer com tantos feijões?
João, sorrindo com tranquilidade, respondeu:
— Vou plantar… e serei o maior pipoqueiro do mundo.
Seu amigo Leo caiu na gargalhada, rindo até chorar.
— Meu Deus, João! — disse ele — Acho que você faltou à aula de biologia. Feijão não vira pipoca! Pra isso, teria que plantar milho! ?
João respondeu calmamente:
— Eu sei que milho vira pipoca. Mas já pensou se o feijão pudesse pipocar também?
Ainda rindo, Leo balançou a cabeça:
— Faz tua pipocaria, Joca… mas não diga que não te avisei. Isso nunca vai dar certo.
E saiu rindo, espalhando a história pela vila.
Pouco tempo depois, cinco amigos apareceram no quintal de João. Ao verem a plantação, caíram na risada.
Leo já tinha contado tudo a todos.
Cícero pediu um ovo de ouro.
Gomes queria uma harpa mágica.
Linda pediu um saco de joias do gigante.
Jéssica implorou para João parar de sonhar.
Jhason disse que ele estava pagando de otário.
João não respondeu. Apenas entrou em casa.
Meses se passaram entre vaias, críticas e cochichos. Quando chegou o tempo da colheita, os seis amigos voltaram. Uns sugeriam que ele vendesse o feijão barato. Outros diziam que estocasse para comer e voltasse a ter uma vida “normal”, como qualquer jovem comum, sem sonhos mirabolantes.
João colheu em silêncio. E sorriu.
No dia seguinte, para surpresa de todos, abriu uma barraca na vila. Preparou tudo com cuidado e anunciou a inauguração do seu novo negócio: pipoca de feijão.
Uma multidão se reuniu — não por curiosidade, mas por descrença.
Entre vaias e risos, João, nervoso, ligou a pipoqueira e colocou os feijões dentro.
Passou um minuto.
Silêncio.
Então…
Plup… plup… plup.
A panela começou a vibrar.
Os olhos se arregalaram.
João abriu um sorriso enorme e disse:
— Vejam…
Era real.
João estava fazendo pipoca de feijão.
Seu negócio virou um sucesso. Vendeu tudo pelo dobro do preço.
Os amigos, antes cheios de palavras, ficaram calados.
E assim nasceu a famosa e esplêndida
Pipoca de Feijão.