Lucien Vieira

LACUNA

Sinto falta de lhe pertencer,

de lhe fazer sentir-se, como não me fez, acarinhada,

e, por um simples afazer, de um carinhoso obrigada.

O que teria por trás da tua falta do ler, 

que te sustenta a forma de não ser?

 

O meu juízo, cauteloso, teme teus outros (des)sabores.

Há sentido no sentido de um gosto teu desconhecido?

É verdade que me perdi porque te achastes?  

Ainda sou o sujeito simples desta oração,

ou apenas o sujeito inculto que desconheço?  

 

Aceito sem visão,

a poesia do teu orgasmo alto,

que sugere espécime rara do gênero paixão.

O que, portanto, indicaria o teu sustentar do meu desmonte?

Minhas lágrimas, minhas dores,

ruídos, rumores...

Teus voares, alforrias, (in)valores...