Zero horas no relógio,
é tarde, e eu deveria dormir.
Mas me movo, me contorço aqui,
deitada sobre a cama bagunçada.
As palavras e emoções
do baú da alma,
empoeiradas, desejam sair.
...
A noite é silenciosa
e, ao mesmo tempo, gritante.
Ela grita coisas
que durante o dia
não quis ouvir.
Um sentimento incompreensível
continua me espetando,
e eu já o percebi.
Mas, como não o entendo,
não há nada que eu possa fazer
além de, com agonia, o sentir.
É irônico que, quando amanhecer,
eu irei rir
da bobinha que se retorce
em seus pretensiosos
e acelerados pensamentos
sob o céu noturno,
como um véu
que faz cair.