Alma nas Sombras

Poesia 1

Existe o amor da tua vida,

flecha de fogo que trespassa o peito,

visão em névoa de luar febril,

onde o toque é eternidade roubada ao tempo.

 

Mas há o amor na tua vida,

rio mansa que banha os dias,

mãos entrelaçadas no pão cotidiano,

sementes que florescem em rotinas tecidas.

 

Mas às vezes, no silêncio das noites vazias,

o que te consome a alma selvagem

não se aninha no lar dos teus passos –

é vento que passa, deixando cinzas perfumadas.

 

Outros amores virão, disfarçados de acaso,

promessas sussurradas em olhares fugidios,

mas o primeiro, o feroz, a da tua vida,

permanece como sombra doce no horizonte.

 

E no fim, elegante despedida no que não foi,

uma lágrima que cai sem alarde,

tristeza fina como rendas rasgadas,

lembrança que dói, mas embeleza o vazio.