Existe o amor da tua vida,
flecha de fogo que trespassa o peito,
visão em névoa de luar febril,
onde o toque é eternidade roubada ao tempo.
Mas há o amor na tua vida,
rio mansa que banha os dias,
mãos entrelaçadas no pão cotidiano,
sementes que florescem em rotinas tecidas.
Mas às vezes, no silêncio das noites vazias,
o que te consome a alma selvagem
não se aninha no lar dos teus passos –
é vento que passa, deixando cinzas perfumadas.
Outros amores virão, disfarçados de acaso,
promessas sussurradas em olhares fugidios,
mas o primeiro, o feroz, a da tua vida,
permanece como sombra doce no horizonte.
E no fim, elegante despedida no que não foi,
uma lágrima que cai sem alarde,
tristeza fina como rendas rasgadas,
lembrança que dói, mas embeleza o vazio.