Entre os braços do vazio
Ema Machado
Em casa, o vazio me abraça
Por entre o vão da cortina a noite nos espia
Nuvens escondem tua face que se afasta
Não sou mais o sol de ontem, agora observo a noite a engolir os dias
Distâncias se mostram em qualquer esquina
Nada que eu faça, diminui a saudade
Em cada encruzilhada riem de minha sina
Às ciladas do tempo nos tornaram metades
Somo agora apenas idade, em breve serei novamente menina…
Na casa, o vazio me abraça, porém, não sacia
Conta-me histórias que ninguém irá ler
Escrevo palavras estranhas, despidas de energia
Lá fora a noite obscura, entrega estrelas
Enquanto engole o dia…
O vazio da noite, não se disfarça
Não há sonhos ou estrelas, somente frio
A casa é abrigo, o vazio nos abraça
A vida tem pressa, é rio
Tua face se perde, torna-se nuance nas letras minhas…