Não é o silêncio que incomoda,
é a falta viva de palavras:
ausência inteira em tudo,
um vazio que se espalha
e aprende a ser costume.
O silêncio sobrepõe a razão,
rouba o ruído do mundo,
afina a nostalgia errante
que ronda a mente
e separa, lento, o que ainda dói.
Enganam-se os dias,
as horas pesam.
Conexões se apagam
sem gesto, sem honra.
O silêncio incomoda
porque a dor é vasta:
fere leve, como um sussurro
dito muito perto do ouvido.
À beira do não-retorno,
na íntima festa da escrita,
o silêncio tenta calar
o que insiste em nascer.
O preço da paz é alto:
pode custar o teu ser,
e fazer de ti
um corpo urbano sem voz.