Amanda Suita de Moraes

Raízes invisíveis


Aprendi a caminhar
com um céu nublado por dentro,
sem pedir que o sol explicasse
por que não ficava.

Há encontros que não acontecem,
mas ensinam o corpo
a reconhecer profundidades.

Guardei o que não pôde ser dito
no mesmo lugar onde o vento guarda
o nome das coisas que toca
e nunca possui.


Não carrego ausência,
carrego espaço.
E nele crescem forças silenciosas,
raízes invisíveis
que me mantêm em pé
mesmo quando tudo parece distante.


Sigo.
Não porque esqueci,
mas porque viver
também é uma forma de amor.