Cabe inteiro na palma da mão
e, ainda assim, carrega o mundo.
É voz que atravessa oceanos,
é ponte erguida sobre o silêncio.
Antes dele, a espera era longa,
era carta escrita à mão,
bilhete dobrado no bolso,
recados que viajavam devagar.
A resposta vinha com o tempo,
dias, meses, às vezes anos.
A saudade aprendia a esperar
no ritmo lento da distância.
Hoje, a palavra corre veloz
e o instante virou presença.
No celular, mora a conversa,
o riso em vídeo, o texto breve,
o “cheguei bem”, o “estou com saudade”,
laços que resistem ao espaço.
Mas também chegam as notícias duras,
as palavras que apertam o peito.
Ele avisa, informa, revela:
tanto o que alegra quanto o que dói.
Pode trazer riso e esperança,
ou silêncio pesado e choro.
É janela aberta para o saber:
notícias, livros, aulas, ideias.
Para muitos, é a primeira porta
por onde a internet entra na vida.
Organiza o tempo, guarda lembretes,
marca encontros, sonhos e tarefas.
É agenda, relógio, mapa e bússola
no ritmo acelerado dos dias.
Também captura o instante exato:
a foto tirada já se revela,
o momento vira memória
antes mesmo de virar passado.
O vídeo nasce e se mostra na hora,
é gesto gravado em movimento,
história contada em imagens vivas
que se repetem com um simples toque.
Facilita a vida prática:
pagar contas, pedir ajuda,
chamar transporte, encontrar caminhos
em ruas nunca antes vistas.
No trabalho, rompe paredes,
permite produzir de qualquer lugar.
Escritório virou nuvem,
e a mesa cabe em qualquer chão.
Em emergências, é salvação.
Um pedido de socorro,
uma ligação urgente,
um fio de esperança no caos.
Mas o celular também alerta:
excesso cansa, isola, distancia.
Tela demais pode roubar
o olho no olho, o toque, a pausa.
Por isso, pede equilíbrio
uso consciente, tempo medido.
Tecnologia a serviço da vida,
não a vida refém do aparelho.
Do tijolão pesado ao toque leve,
da primeira chamada ao 5G veloz,
o celular conta a história humana
de querer falar, registrar, existir.
Extensão do corpo moderno,
espelho do nosso tempo apressado,
ele molda relações e escolhas,
reflete quem somos e para onde vamos.
Pequeno objeto, grande impacto:
não é só máquina, nem só fio.
É ferramenta, memória e símbolo
do mundo que pulsa na palma da mão.