Recomeçar, pra mim,
não é coisa grande.
É coisa desimportante.
O ano novo chega
cheio de horas certinhas,
mas eu prefiro as tortas.
As que atrasam,
as que tropeçam,
as que inventam caminho.
Escolho desaprender o calendário,
ouvir o tempo pelas margens
e usar o erro
como bússola.
Recomeçar é isso:
diminuir o mundo
até caber
num espanto.