Chamou de amor o controle
e de zelo, a violência silenciosa.
Invoca limites apenas quando lhe convém:
nada do que é dela me pertence,
mas invadiu meu quarto
e lançou ao lixo
minhas ervas,
meus símbolos,
minha fé,
meu direito ao fogo.
Discordar era afronta.
Ser quem sou, crime íntimo.
Propriedade, em sua boca,
sempre foi instrumento de poder.
Deixou-me como herança
o aprendizado mais duro:
nem toda mãe gera abrigo —
algumas apenas exigem gratidão
pelas feridas que causam.