Era assim — e nunca mudará.
Mas era natural.
Não se importava com as pessoas que viviam na África,
muito menos com as crianças desaparecidas
que via no jornal.
Tornou-se escravo do próprio desejo,
um mero coadjuvante
de uma tristeza que amedrontava até fantasmas,
fazendo as correntes rangerem.
Sempre no centro —
como o sol que queima tudo ao redor
e arde no deserto.
Era desagradável,
como um ruído que arrepia a espinha.
Não escutava outro refrão:
colocava-se sempre no centro de tudo,
mesmo angustiado com o desconforto que isso lhe causava.
E isso o levou ao fundo do poço.
Permaneceu preso à caverna,
deitado no leito, esperando
pelo fim do tormento.