Diego be sar

Desabafo

 

Era assim — e nunca mudará.

Mas era natural.

Não se importava com as pessoas que viviam na África,

 muito menos com as crianças desaparecidas

 que via no jornal.

 Tornou-se escravo do próprio desejo,

 um mero coadjuvante

 de uma tristeza que amedrontava até fantasmas,

 fazendo as correntes rangerem.

Sempre no centro —

como o sol que queima tudo ao redor

e arde no deserto.

Era desagradável,

como um ruído que arrepia a espinha.

Não escutava outro refrão:

colocava-se sempre no centro de tudo,

mesmo angustiado com o desconforto que isso lhe causava.

E isso o levou ao fundo do poço.

Permaneceu preso à caverna,

deitado no leito, esperando

pelo fim do tormento.