Quando quis amar-te
Quando quis amar-te, não era tolice.
Enquanto tu achavas que eras dono de mim,
que podias fazer o que entendesses,
convicto de que eu tinha medo de ti.
Eu apenas fugia
desse sentimento pesado,
dessa prisão sem grades.
O meu silêncio foi abrigo:
ajudou-me a sair do escuro,
a procurar de novo
o sentido da vida.
Enquanto te gabavas
de poder estar com muitas
e ainda assim manter-me ligada a ti,
como se eu continuasse
no teu reinado.
Tu saías sem horas de voltar,
e eu rezava
para que ficasses por lá.
Eu pedia paz,
e tu insistias em queimar-me por dentro.
Só voltarei a entregar o meu coração
a quem realmente mereça.
Ainda quero um amor
lado a lado,
feito de respeito e ternura.
Um amor que, mesmo a sós,
seja luz.
Que me acompanhe na velhice.
Não um amor perdido na multidão,
que não existe entre quatro paredes.
Não quero sorrisos forçados.
Quero reciprocidade.
Ainda não sou feliz.
A minha metade
ainda não apareceu.