MAISA NALAPE

Quando quis amar-te

Quando quis amar-te

Quando quis amar-te, não era tolice.

Enquanto tu achavas que eras dono de mim,

que podias fazer o que entendesses,

convicto de que eu tinha medo de ti.

 

Eu apenas fugia

desse sentimento pesado,

dessa prisão sem grades.

O meu silêncio foi abrigo:

ajudou-me a sair do escuro,

a procurar de novo

o sentido da vida.

 

Enquanto te gabavas

de poder estar com muitas

e ainda assim manter-me ligada a ti,

como se eu continuasse

no teu reinado.

Tu saías sem horas de voltar,

e eu rezava

para que ficasses por lá.

 

Eu pedia paz,

e tu insistias em queimar-me por dentro.

Só voltarei a entregar o meu coração

a quem realmente mereça.

Ainda quero um amor

lado a lado,

feito de respeito e ternura.

Um amor que, mesmo a sós,

seja luz.

 

Que me acompanhe na velhice.

Não um amor perdido na multidão,

que não existe entre quatro paredes.

Não quero sorrisos forçados.

Quero reciprocidade.

Ainda não sou feliz.

A minha metade

ainda não apareceu.