No coração do Pantanal, sob o céu a cintilar,
morava Dona Arara Azul, vaidosa a se enfeitar.
Coloria o espelho com penas de luar,
quando um sussurro rasteiro veio lhe assustar.
Era a Sucuri gigante, fria e feroz,
soprando um “ssshhhh” que gelava a voz.
A Arara gritou — “Socorro! Quem vai me salvar?” —,
e um pequeno Grilo veio lhe ajudar.
Saltou o valente, leve no chão,
cantando coragem, estendendo a mão:
— “Se comigo quiser se casar,
prometo sua vida pra sempre guardar!”
A Arara, encantada, aceitou sem temer,
e o Grilo, esperto, fez a cobra correr.
No outro dia, o amor se espalhou,
e por todo o Pantanal a alegria ecoou.
O Trem de Ferro, lá longe a passar,
ouviu o “cri-cri” e quis festejar:
“Tchu-tchu-tchu!”, o apito soou,
e por toda a linha a notícia voou.
O Ipê, curioso, abriu-se em flor,
pintando o campo com seu esplendor.
A Onça vaidosa quis se adornar,
e com suas pintas saiu a dançar.
O Mato ficou verde, perfume no ar,
balançou contente, querendo cantar.
O Rio, brilhante, começou a sorrir,
suas águas dançavam, querendo fluir.
O Vento soprou, levando emoção,
e as Nuvens bordaram corações no chão.
O Sol, dourado, ao ver tanta luz,
bradou lá do alto: — “Se é amor, que reluz!”
E assim o Pantanal se iluminou:
Grilo e Arara, o amor celebrou.
O Trem apitou, o Ipê floresceu,
a Onça pintou-se, o Mato nasceu.
O Rio cantou, o Vento embalou,
as Nuvens sorriram, o Sol brilhou.
E no meio da festa, em pura canção,
pulsa o amor — doce inspiração.