MAISA NALAPE

Tenho duas amantes profundas.

Tenho duas amantes profundas.

E nenhuma delas aceita superficialidade.

A poesia me rasga por dentro,

arranca verdades que escondo até de mim,

me obriga a encarar feridas abertas

e a chamar dor pelo nome.

 

Ela não me poupa.

Ela me expõe.

Ela me deixa nua em cada verso.

O treino me quebra o corpo,

me leva ao limite do fôlego,

faz o músculo tremer

enquanto a mente grita para desistir.

E eu continuo.

 

Porque no peso que levanto

enterro medos.

No suor que escorre

expulso fraquezas.

A poesia sangra o que sinto.

O treino cala o que dói.

 

Uma me afunda no caos,

a outra me puxa de volta à superfície.

Entre lágrimas e repetições,

aprendi que sobreviver não é suave.

 

É força.

É entrega.

É insistência.

Tenho duas amantes profundas

e graças a elas

eu não desisto de mim.