Tenho duas amantes profundas.
E nenhuma delas aceita superficialidade.
A poesia me rasga por dentro,
arranca verdades que escondo até de mim,
me obriga a encarar feridas abertas
e a chamar dor pelo nome.
Ela não me poupa.
Ela me expõe.
Ela me deixa nua em cada verso.
O treino me quebra o corpo,
me leva ao limite do fôlego,
faz o músculo tremer
enquanto a mente grita para desistir.
E eu continuo.
Porque no peso que levanto
enterro medos.
No suor que escorre
expulso fraquezas.
A poesia sangra o que sinto.
O treino cala o que dói.
Uma me afunda no caos,
a outra me puxa de volta à superfície.
Entre lágrimas e repetições,
aprendi que sobreviver não é suave.
É força.
É entrega.
É insistência.
Tenho duas amantes profundas
e graças a elas
eu não desisto de mim.