Poderia ter sido tudo que quisesse...
Poderia ter feito tudo!
E o que fizesse
Cobrisse-me de glórias e honrarias;
Fizesse-me memória de ousadia;
Trouxessem-me vitórias... fantasias...
Poderia ter ganhado todas as batalhas,
Mesmo não lutasse!...
Poderia ter sido rei da Saxônia e da Itália,
Mesmo não quisesse,
No tempo de uma prece...
Deveria ter sido tudo que sabia,
Amado a covardia, soltado a rebeldia;
Não ter sido nada por um dia,
Mesmo me rogassem...
Mas, fugi no rabo da estrela...
(Longe a Lua Cheia, o que contê-la?...)
Aportei ao mundo da tristeza,
Naveguei num fóton de agonia
Rente à luz perdida e dividida
Contra a beleza e poesia
Presa às nebulosas desvalidas
E perdi a vida numa vida
Que devia ser, mas não devia...
Poderia ter sido tudo que quisesse...
Poderia ter sido rei da covardia e da prece,
Mesmo não quisessem,
Mesmo me rogassem...
Mas, de tanto medo, usei o manto
Da hipocrisia da verdade
E fui viver...
Já era tarde!