G. Mirabeau

Rei da Covardia

 

Poderia ter sido tudo que quisesse...

Poderia ter feito tudo!

E o que fizesse

Cobrisse-me de glórias e honrarias;

Fizesse-me memória de ousadia;

Trouxessem-me vitórias... fantasias...

 

Poderia ter ganhado todas as batalhas,

Mesmo não lutasse!...

Poderia ter sido rei da Saxônia e da Itália,

Mesmo não quisesse,

No tempo de uma prece...

 

Deveria ter sido tudo que sabia,

Amado a covardia, soltado a rebeldia;

Não ter sido nada por um dia,

Mesmo me rogassem...

 

Mas, fugi no rabo da estrela...

(Longe a Lua Cheia, o que contê-la?...)

Aportei ao mundo da tristeza,

Naveguei num fóton de agonia

Rente à luz perdida e dividida

Contra a beleza e poesia

Presa às nebulosas desvalidas

E perdi a vida numa vida

Que devia ser, mas não devia...

 

Poderia ter sido tudo que quisesse...

Poderia ter sido rei da covardia e da prece,

Mesmo não quisessem,

Mesmo me rogassem...

Mas, de tanto medo, usei o manto

Da hipocrisia da verdade

E fui viver...

Já era tarde!