Cedinho, lá está ela sobre sua varanda, como quem não quer nada, mas com aquela bisbilhotice. Cantando sua musiquinha, um código entre vizinhas.
Ela entra disfarçada, deixa a janela encostada na portinha, olha já espiando a molecada que vai passando, dona do jornal, senhora da maldade, sabe tudo, mente é meia verdade.
Quem casou? Quem morreu? Mulher curiosa, pimenta ardilosa, dona pipoqueira, mulher fofoqueira.
Não perde um detalhe, tudo sabe, tudo vê. Quando não cochicha com a vizinha, assiste programa na TV, ou se esconde por trás das frestinhas para ninguém ver.