Último dia do ano, marco da partida,
ordem na casa, na estrada, na alma, na vida.
Coragem nas mãos, um gesto que veio do fundo do meu peito!
Desapegar do que amarra neste mundo, aproveitar o resto do tempo.
De me sentenciar de algo que precisei que fosse feito
De uma última noite na qual eu jurava ser a reviravolta de um enredo
Que me trouxe uma consequência do qual eu tive a prova e muito medo
Joguei fora o quebrado, o inútil, o morto,
objetos sem função, sentimentos de curto e longo prazo.
Cada pensamento, lembrança daqueles dias que me causou uma tristeza,
limpeza que acalma, que afasta a desfeita.
Maus hábitos antigos, que reconectava ao passado,
estão banidos no raio deste cuidado..
Águas que se abrem de uma cachoeira, como uma maratona enorme a correr,
não há mais volta no que vai acontecer e vou fazer.
Desfiz do peso, soltei o lastro da corrente,
neste divisor de águas, prometi que agora será somente a semente
[ Grão de mostarda]
do novo que chega, estou despida ,limpa e real,
na virada do tempo, apenas o essencial.
Desapega, respira, deixa ir o que não serve.
O futuro é uma jornada que agora conserva
Apenas o fluxo da própria maré.
O ano que finda e já é.
Ano novo!
Que as águas divididas nos levem adiante,
Leves, inteiros, num presente constante.
O velho ficou pra trás na margem...
O novo é agora, uma viagem.