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\"Retrospectiva Distorcida (74)\"

 É realmente (in)crível

memorável

palpável e 

inusitado 

 

A forma como 

os anos passam

as estações anuais 

prosseguem 

 

Os falsos sorrisos

(e primos)

mantém-se 

em ceias e festivais   

 

 E a conta bancária 

 dos proletariados 

 fazem um (curioso)

 movimento decrescente 

 

 A esperança 

é representada 

pela cor 

esverdeada 

 

Ela é como 

uma luz musgo 

no fim do túnel 

 

Nossa criança interna 

caminhando em 

nosso encalço 

 segurando o

 me(n)tal pesado 

 

 Almejando

 um futuro

 habitável

 

 Pela falta de opção 

 ou minha insalubre

 falta de criatividade 

 eu escolho o branco 

 

 Honestamente eu 

só passei a ligar 

para a cor 

que na virada 

iria usar 

 

A partir do dia 

em que fiz sete anos 

me sentia andando 

em um losango 

 

Paz, era o meu 

clássico pedido 

de alguém 

que acreditava 

na estrela cadente 

 

Eu já vivi 

várias cadentes 

desilusões

 incoerentes 

 

 Puxavam-me 

 as correntes 

 para uma

 perspectiva 

 

Mais crua 

mais infeliz 

 mais distante

 do viver.

 

 Esse ano, porém 

me trouxe espairecer 

não acho que possa 

afirmar que 

 

 A felícissima menina  

que ouvia \'Lua de Cristal\' 

voltou ao pedestal 

 

Ela continua escalando 

sem técnica 

somente com 

o que dizem 

ser genialidade 

 

Um sarcasmo amargo 

engarrafado, além de

manuscritos que 

sua versão adulta 

irá provavelmente 

achar hilário

 

 Definir esse ano 

em uma palavra 

é uma tarefa difícil 

nunca penso nisso 

 

Tenho o costume 

em ser avaliada 

frequentemente 

dou notas 

aos passados 

 

Acho que

setenta e quatro.