Do falso amor...
Amor profundo ao mundo,
Mundo que sou eu:
Negro, amorfo, ainda único.
Carinho esse, terceirizado,
Feito meu por sobrevivência.
Que outra forma de existir
Senão pelo amor alheio?
Amor que me deu olhos
Por pena, quiçá necessidade
De, finalmente, sentir para si.
Olhos que abriram para o terror:
Imenso horror da autoconsciência,
Do ardor do primeiro respirar,
Da tortura do primeiro pulsar de vida.
Pode a existência se construir solitária
sem mais seus pilares fundamentais?
Esta é a eterna falta de forma
Angustiando pelo saber existir.
Seria a apatia capaz de cometer suicídio
Sem entender sequer como não ser?
Esta cria, então, a distorção do sentir,
O mais artificial dos amores.
...A crise.