Pietra Figueiredo

O que busco

O que busco é flagelo
e não me cabem em versos
a tradução da natureza humana.


Busco, mas não encontro.
Sinto —
e o que busco vem do sentir,
que é involúvel.


Mora no pensamento
como um emaranhado de fios
presos a um livro.


O que busco
é traduzir cada pulsar do meu coração,
sentir que a frase tem razão
junto ao meu ser,
na minha alma.


O que busco
é sentido numa estrada deserta,
habitada por névoa escura.


O que busco
são palavras que ainda não aprendi,
que não moram no meu vocabulário.


É como uma folha que cai no outono:
despida, leve, sem razão.


É pisada,
partida em pedaços,
quebrada ao caminhar sobre ela.


O que busco
é a leveza da folha em reconstrução,
a passagem das estações
até que novas folhas nasçam.


O que busco
é o instante de razão
entre o etéreo e o racional.


Um sentimento grande,
explosão,
corrompido —
mas reconstruído.


Qual é a razão?