Gustavo Cunha

Véu

Vem até mim
A noite cálida reveste a tua boca
Que com a minha coze
O véu que nos cobre e nos une
Absolutos e indefectíveis
A morada perene
Que com sangue erigi
Para que fluas sempre calma e serena
Antítese imprecisa de meu corpo vanescente
Até irromper em um oceano de calmaria
Deitas teu corpo na brisa
Que toca tua pele
E se desfaz em volúpia e nuvens
Ilumina-te com as primeiras horas do amanhecer
És carne e desejo
E a meus suplícios
Ternuras
Alegrias
O destino auspicioso
De indizível espanto
Sorrirá
Não temas, portanto, o fim de tudo
A morte exata
Repousa ociosa
E ecoa, na plenitude do tempo
A voz peremptória da eternidade
Cingi-me com a tua esperança inócua
De onde trouxeste a luz
Que agora repousa sobre a minha fonte
E irei longe
E irei muito longe
E minha alma vencerá distâncias
E dormiremos sob o céu iluminado
Recordando saudades vindouras