Reflexão sobre pureza, memória e fraternidade
Eu vi a pureza se apagar lentamente,
não em um dia,
mas através dos silêncios repetidos,
dos olhares desviados,
e das verdades que já não ousávamos defender.
Ela não gritava ao partir,
ela se afastava suavemente,
como uma luz que brilha no âmago do coração.
Com ela, a dignidade perdeu seu peso,
e a honra, seu valor.
As palavras permaneceram,
mas seu sentido se esvaziou.
Falava-se ainda em respeito,
mas sem vivê-lo.
Invocava-se a moral,
sem a encarnar.
Houve um tempo em que Maria iluminava nossa estrela,
uma estrela de pureza,
de fé,
de coragem silenciosa.
Ela exaltava os passos hesitantes,
recordava a doçura em um mundo duro,
e mostrava que a força
pode nascer da humildade.
Naquele tempo,
os valores não eram negociáveis.
Eles eram transmitidos pelo exemplo,
pela palavra justa,
pela mão estendida.
O homem sabia por que murchava,
e para onde se dirigia.
Hoje, o vento dispersa nossas virtudes.
Ele as leva como folhas secas,
sem raízes profundas.
Tudo vai rápido,
tudo se consome,
até a alma.
A consciência se cansa,
e a memória se fragiliza.
Vivemos em um mundo barulhento,
mas interiormente vazio.
As telas iluminam os rostos,
mas os corações permanecem sombrios.
Sobre confiança e valor,
sucesso e sentido,
liberdade e abandono.
Quando renovaremos nossa visão?
Quando aprenderemos a dar atenção às coisas importantes?
Não passe apenas pelo olhar do julgamento,
mas com compaixão.
Não para dominar,
mas para compreender.
Porque a verdadeira visão
nasce no silêncio interior.
Ela cresce na verdade aceita,
e se fortalece na responsabilidade.
Ver não é apenas observar,
é reconhecer o outro
como um irmão.
O coração puro não é ingênuo.
Ele é corajoso.
Ele escolhe o bem
apesar da facilidade do mal.
Ele resiste ao ódio,
sem se tornar fraco.
Ele perdoa,
sem esquecer a justiça.
O coração puro gera a História,
não escrita pela violência,
mas construída pelas consciências despertas.
Cada gesto justo,
cada palavra reta,
torna-se uma pedra
no edifício da humanidade.
A História não vive sozinha.
Deixe-a respirar através da fraternidade.
Sem ela,
os povos se opõem,
as memórias se rasgam,
e as gerações se perdem.
Com ela,
as bênçãos encontram sentido.
A fraternidade não é um lugar ideal.
Ela começa aqui,
na consideração pelo outro,
na escuta sincera,
na recusa da indiferença.
Ela é uma escolha diária,
geralmente discreta,
mas sempre poderosa.
Se a pureza parece ausente hoje,
ela não está morta.
Ela persiste.
Ela dorme nas consciências
que se recusam a ceder.
Ela ainda vive
naqueles que esperam.
E talvez um dia,
a estrela brilhe novamente,
não no céu,
mas no coração do homem reencontrado.
Então a dignidade retomará seu lugar,
a honra seu sentido,
e a fraternidade
sua missão eterna.