Te vejo pela metrópole,
Uma silhueta turva,
Cintilante — desconexa —
Entre prédios e corpos,
Sorrindo às minhas incertezas.
Confusa, mas atrai.
Cala-se frente ao desejo.
Me consome só a alma,
Saliva sobre minha pele
Enquanto te mastigo sem calma.
E nas teias do concreto,
Nos perdemos de novo.
Duas mentiras,
E nossos lábios se abraçam.
Nós dois,
Tão jovens. Tão fúteis.
Nos esfaqueando
Enquanto as carcaças se entrelaçam.
Ao despontar do entardecer, novamente, as mãos do mar escuro lhe puxam.
E na curva final deste círculo, os braços da dependência me agarram.