Alexia Ava

Depois do SilĂȘncio

Fiquei calada

por mais tempo do que devia.

Não por falta de palavras,

mas porque ninguém queria ouvir.

Engoli dores

para não incomodar.

Aprendi a sorrir

com o peito em ruínas.

Carreguei ausências

como quem carrega culpa

sem ter cometido crime.

O silêncio virou hábito.

A dor, rotina.

E eu segui

invisível,

mas viva.

Hoje escrevo

porque sobrevivi.

Porque tudo o que calei

não morreu em mim.

Escrevo para que saibam

que houve noites longas,

quedas silenciosas,

e uma força que ninguém viu.

Não escrevo por vingança.

Escrevo por verdade.

Para que entendam

que o silêncio não era vazio,

era peso demais.

Agora falo em versos

o que a vida tentou calar.

Não para ser entendida por todos,

mas para não me perder outra vez.

— Alexia Ava