Sezar Kosta

O AMOR VIVE DE ESPERANÇA

Eu aprendi isso com você:

o amor não se sustenta sozinho.

Ele precisa de algo invisível,

algo que fique quando o resto vacila.

 

Esse algo é a esperança —

não a minha, nem a sua,

mas a que construímos juntos.

 

Houve dias em que o amor cansou.

Dias em que a palavra falhou,

em que o gesto chegou atrasado,

em que o silêncio falou alto demais.

 

Foi a esperança mútua

que segurou nossas mãos

quando nenhuma certeza nos segurava.

 

Esperar um pelo outro

não foi fraqueza,

foi coragem compartilhada.

 

Enquanto eu duvidava,

você acreditava.

Quando o seu passo tremia,

era o meu que permanecia firme.

 

Assim o amor não caiu.

 

A esperança é isso:

o amor quando aprende a respirar

entre falhas,

a permanecer entre feridas,

a continuar sem prometer perfeição.

 

Ela sustenta o que ainda vale

quando tudo parece frágil.

 

Amar, descobri,

é confiar que o outro não desiste

no mesmo ritmo em que eu não desisto.

É saber que, mesmo em noites longas,

há dois corações escolhendo

esperar juntos o amanhecer.

 

Se hoje o amor ainda vive,

não é porque nunca foi ferido,

mas porque a esperança foi recíproca.

E onde dois esperam um pelo outro,

o amor encontra força

para ficar.