Eu aprendi isso com você:
o amor não se sustenta sozinho.
Ele precisa de algo invisível,
algo que fique quando o resto vacila.
Esse algo é a esperança —
não a minha, nem a sua,
mas a que construímos juntos.
Houve dias em que o amor cansou.
Dias em que a palavra falhou,
em que o gesto chegou atrasado,
em que o silêncio falou alto demais.
Foi a esperança mútua
que segurou nossas mãos
quando nenhuma certeza nos segurava.
Esperar um pelo outro
não foi fraqueza,
foi coragem compartilhada.
Enquanto eu duvidava,
você acreditava.
Quando o seu passo tremia,
era o meu que permanecia firme.
Assim o amor não caiu.
A esperança é isso:
o amor quando aprende a respirar
entre falhas,
a permanecer entre feridas,
a continuar sem prometer perfeição.
Ela sustenta o que ainda vale
quando tudo parece frágil.
Amar, descobri,
é confiar que o outro não desiste
no mesmo ritmo em que eu não desisto.
É saber que, mesmo em noites longas,
há dois corações escolhendo
esperar juntos o amanhecer.
Se hoje o amor ainda vive,
não é porque nunca foi ferido,
mas porque a esperança foi recíproca.
E onde dois esperam um pelo outro,
o amor encontra força
para ficar.