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Cemitério.

Quando eu morrer e os vermes comerem o meu corpo,

irão sentir o sabor da última palavra dita por mim:

a pronúncia do seu nome.

 

Aquelas músicas que eu não te mostrei

porque achei que você não ia gostar,

as cartas que te escrevi e nunca te entreguei,

porque amar dessa forma é tido como algo brega.

 

Verão o verdadeiro sentido de amar,

a intensidade disso

e o fim na mesma velocidade

em que um cigarro é consumido pelo fogo.

 

Enquanto minha matéria não morre, estou aqui lidando com a saudade,

mas quando me enterrarem, já morri —

e você nem viu.

 

Somos todos um cemitério de palavras não ditas,

daquilo que deixamos de fazer por motivos externos, morremos um pouco mais e em silêncio cada vez mais.