Se a vida fosse como a liberação de exame,
seria maravilhoso.
Silenciosa, aguardando na fila do sistema,
com o coração em processamento.
Já pensou?
Um F5 para executar os sonhos
quando a coragem demora a responder.
Um F12 para liberar a felicidade
assim que o medo fosse validado.
Haveria a opção de liberação automática da esperança,
sem precisar conferir mil vezes
se estamos prontos para seguir.
O amor sairia sem pendências,
sem aviso de inconsistência emocional.
E se algo desse errado?
Sem pânico.
A vida permitiria repetir este exame —
repetir escolhas,
refazer caminhos,
recoletar afetos no tempo certo.
Existiria também o botão
cancelar resultado,
para aquelas dores que não nos pertencem,
para diagnósticos lançados por quem nunca nos conheceu.
Poderíamos visualizar o laudo da alma,
ler com calma nossas forças,
entender que nem todo valor fora da referência
é sinal de doença —
às vezes é só singularidade.
E, se necessário,
retificar laudo.
Porque crescer é isso:
corrigir interpretações antigas
sobre quem somos
e sobre o que merecemos.
Se a vida fosse como a liberação de exame,
ela nos ensinaria que
nenhum resultado é definitivo,
que o tempo também analisa,
e que até os dias críticos
podem vir acompanhados
de uma chance de recomeço.