Gustavo Felipe

O que restou de mim.

O que restou de mim.

Teu peito carregava uma marca,

herança de um ontem que prescreveu teu amanhã.

O meu carrega uma lacuna:

um passado que, insiste em se fazer presente.

No fim, nos tornamos iguais:

desejando ser outro para quem, de nós, já não bastava.

Agora, escrever é o que me resta;

esta é a única parte de mim que ainda pode te tocar.

São versos lançados ao vento,

pontes de papel suspensas sobre o abismo do teu silêncio.

Sinto, que não esquecerei tua lembrança.

Ela permanece viva, não por vontade minha,

mas por sua própria e indomável natureza.

É isso — é tudo — o que restou de mim.