O que restou de mim.
Teu peito carregava uma marca,
herança de um ontem que prescreveu teu amanhã.
O meu carrega uma lacuna:
um passado que, insiste em se fazer presente.
No fim, nos tornamos iguais:
desejando ser outro para quem, de nós, já não bastava.
Agora, escrever é o que me resta;
esta é a única parte de mim que ainda pode te tocar.
São versos lançados ao vento,
pontes de papel suspensas sobre o abismo do teu silêncio.
Sinto, que não esquecerei tua lembrança.
Ela permanece viva, não por vontade minha,
mas por sua própria e indomável natureza.
É isso — é tudo — o que restou de mim.