Versos Discretos

Navegar teus montes

Ao prender teu olhar no lume brando 
Da vela fina, onde a sombra nos enlaça, 
Desfaço, com um sopro, o nó nefando 
Da alça leve que o teu ombro abraça.

Eis que desfolhas as febris elegâncias 
Que aos pés se curvam, despindo a altivez, 
E o meu desejo, vencendo as distâncias, 
Peregrina, devoto, em tua nudez.

Vou navegar teus montes com vertigem, 
Subir teu rio em ondas de prazer; 
E, içando o mastro em rota de origem, 
Sulcar as águas do teu doce ser.