Antonio Luiz

Formas sem forma no avesso do paraíso

há uma dor no vazio, incompleta

que dói por não caber em si - sabe o poeta -

e que se esparrama entre as frestas do nada

como se buscasse um canto qualquer sem ouvidos

onde pudesse debruçar seu estrondoso silêncio

 

ela se ergue dum túmulo de bordas infinitas

cavado para muito além do que de mais oco haja

onde nada repousa, além das sombras das ausências

sobre a poeira de corpos em chão que não se fecha

e dali caminha descalça pelo avesso dos paraísos

 

pobre poeta, a quem se ferem seus tantos passos

que sente a dor de dobras de pertencimento amorfo

que sofre das solidões inventadas e crônicas, sozinho

ensaiando idas que nunca partiram, mas não cessam

dilacerando o seu íntimo – num esforço de existir

 

-- esse poema foi publicado em meu blog pessoal (https://antoniobocadelama.blogspot.com/) em 12/12/25 –