Minha poesia fede
Feito a carniça
Ao sol do meio-dia,
Exalando seu perfume
Pútrido.
Como o sangue seco
No chão da favela
Deixado depois
Da última operação.
Minha poesia é amarga
Como são amargos os dias
Aqui na periferia
Largados ao caos
e ao desemprego
Aqui parece reinar
O desassossego
E a humilhação.
Minha poesia escorre
Como o esgoto
a céu aberto
Que inunda quando chove
Mata tantos, tantos outros
Torna pobres, de afeto,
De teto e de pão.