Luana Santahelena

A Delicada Matemática do Amor

O amor fere e cura na mesma medida,

e eu, que mal sei dividir contas simples,

fico tentando entender essa equação

que sempre escapa da minha lógica.

 

Ele chega, me arranha de leve,

assopra o machucado

e ainda pergunta se doeu —

como quem ensaia um pedido de desculpas

só pela metade.

 

E eu rio, porque no fundo sei:

entre cortes e colas,

é assim que a vida me lembra

que até o paradoxo tem seu charme,

e que amar é aceitar

que a cura às vezes vem

disfarçada de ferida.

 

O amor é algo capaz

de nos transformar

sem pedir permissão

ou consentimento.

 

Há momentos em que machuca;

há momentos em que acalma.

A verdade é que ele nunca desaparece —

apenas deixa de se manifestar

da mesma forma.

 

Às vezes, tentamos segurar com força,

mas o amor escapa das nossas mãos,

como se não pudéssemos evitar.

 

E quando ele vai embora,

fica um silêncio estranho…

mas é justamente nesse instante

que entendemos

o que o amor realmente significa.

 

Com o tempo,

algo lá dentro começa a se reorganizar.

Surgem pensamentos leves,

uma vontade suave de seguir adiante.

 

Aos poucos,

vamos juntando os pedaços

e reconstruindo quem somos agora —

um pouco do que aprendemos,

um pouco do que ainda sentimos.

 

A vida é assim:

dói, ensina, cura

e abre caminho

para um novo começo.

 

O amor continua,

mesmo quando parece ter acabado —

apenas assume

outra forma.

 

 

 

Agradeço ao poeta Melancolia pela generosa parceria de 2 textos comigo, este segundo é outra mostra generosa deste talentoso poeta em parceria comigo.