O amor fere e cura na mesma medida,
e eu, que mal sei dividir contas simples,
fico tentando entender essa equação
que sempre escapa da minha lógica.
Ele chega, me arranha de leve,
assopra o machucado
e ainda pergunta se doeu —
como quem ensaia um pedido de desculpas
só pela metade.
E eu rio, porque no fundo sei:
entre cortes e colas,
é assim que a vida me lembra
que até o paradoxo tem seu charme,
e que amar é aceitar
que a cura às vezes vem
disfarçada de ferida.
O amor é algo capaz
de nos transformar
sem pedir permissão
ou consentimento.
Há momentos em que machuca;
há momentos em que acalma.
A verdade é que ele nunca desaparece —
apenas deixa de se manifestar
da mesma forma.
Às vezes, tentamos segurar com força,
mas o amor escapa das nossas mãos,
como se não pudéssemos evitar.
E quando ele vai embora,
fica um silêncio estranho…
mas é justamente nesse instante
que entendemos
o que o amor realmente significa.
Com o tempo,
algo lá dentro começa a se reorganizar.
Surgem pensamentos leves,
uma vontade suave de seguir adiante.
Aos poucos,
vamos juntando os pedaços
e reconstruindo quem somos agora —
um pouco do que aprendemos,
um pouco do que ainda sentimos.
A vida é assim:
dói, ensina, cura
e abre caminho
para um novo começo.
O amor continua,
mesmo quando parece ter acabado —
apenas assume
outra forma.
Agradeço ao poeta Melancolia pela generosa parceria de 2 textos comigo, este segundo é outra mostra generosa deste talentoso poeta em parceria comigo.