Eu odeio café.
Toda tarde sinto o cheiro do café que minha mãe faz,
E eu sempre bebo, mas
Eu não gosto do seu amargo,
E nem quero ficar acordado.
Eu quero dormir, dormir pra sempre.
Pois tenho medo de acordar e não ver minha caneta,
De esquecer de todos os meus sonhos,
De não existir mais um planeta.
Pois não sei se amanhã vou enxergar,
Ou se todos estarão de pé,
Se minha vida vai ser a mesma.
É, eu amo café
Pois no fim da tarde – ou da eternidade –
Ele é minha única certeza.