O amor é algo capaz de nos transformar sem pedir permissão ou consentimento. Tem momentos em que machuca; tem momentos em que acalma. A verdade é que ele nunca desaparece de verdade — apenas deixa de se manifestar da mesma forma.
Às vezes tentamos segurar com força, mas o amor escapa das nossas mãos, como se simplesmente não pudéssemos evitar. E quando ele vai embora, fica um silêncio estranho… mas é exatamente nesse instante que entendemos o que o amor realmente significa.
Com o tempo, algo lá dentro começa a se reorganizar. Surge um pensamento leve, uma vontade de seguir adiante. Aos poucos, vamos juntando os pedaços e reconstruindo quem somos agora — um pouco do que aprendemos e um pouco do que ainda sentimos.
A vida é assim: dói, ensina, cura e abre caminho para um novo começo. O amor continua, mesmo quando parece ter acabado — ele apenas assume outra forma.
Descobrimos que o amor também existe no modo como nos reerguemos, no cuidado que passamos a ter com quem fomos e com quem desejamos ser. Ele aparece nas pequenas coragens do cotidiano — em cada passo dado mesmo com medo, em cada sorriso que volta sem pressa, em cada respiro que não pede mais explicação.
E assim, entendemos que o amor não se limita a alguém ou a algum momento. Ele se estende para além do que vivemos, ocupando espaços que antes nem imaginávamos. Permanece em nós como uma espécie de luz discreta, que nunca se apaga completamente.
No fim, o amor é isso: um movimento que nos atravessa, nos desarruma e depois nos recompõe. Uma força que nos molda para seguir adiante, mais inteiros, mais atentos, mais verdadeiros. Porque, mesmo quando parece distante, o amor sempre encontra um jeito de continuar.
Agradeço ao poeta Melancolia pela generosa parceria de 2 textos comigo, este primeiro é uma mostra generosa de minha parceria com este talentoso poeta