Poesia Abandonada

Cadeira de balanço

Não peço a eternidade, nem o brilho da manhã, Sei que a vida se esvai, como a areia na mão. Mas peço a doçura de ver o sol se pôr, Tendo ao meu lado o conforto do teu amor.

Que os fios de prata cheguem, macios e lentos, Trazendo consigo sábios sentimentos. Que o passo se torne mais brando e mais lento, Mas que o coração bata no mesmo compasso, sem tempo.

E quando a pressa da vida enfim nos deixar, E a tarde for longa, sem ter o que apressar, Quero que a imagem se grave: nós dois a balançar, Nesta velha cadeira, onde o tempo veio parar.

Ao teu lado, a pele enrugada, a mão que ainda aperta, Contando histórias antigas, na memória desperta. O ranger da madeira, o silêncio que acalma, O amor que envelhece e se expande na alma.

Sentado contigo, neste ritmo lento, É a mais pura prova do nosso contentamento. Que a vida termine assim, simples e real, Envelhecer ao teu lado, meu bem, é o meu ideal, pena que não irá se realizar.