No sonho, ela surgiu
numa figura levemente senescenta,
revestida daquela ternura ancestral
que não se dissipa nem diante do irreversível.
Trazia os cabelos curtos,
um mosaico de felpo grisalho,
uma tessitura quase têxtil,
como se cada filamento guardasse
reminiscências de um afeto primevo.
Quando foi abraçada, o gesto
irrompeu como uma epifania suave:
o calor epidérmico,
o aroma etéreo da candura materna,
a sensação de um pertencimento indelével
que só existe quando o amor é absoluto.
E naquela aparição onírica,
sua presença, mesmo translúcida e rarefeita,
ainda pulsava com a mesma força primordial
de quando caminhava ao lado de quem a amava.
Depois que ela acordou, sentiu
o porquê daquela visita.